Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009
Mais uma vez venho falar de minha indignação com o sistema de Educação capitalista brasileiro.
Lógicamente que o aluno-cliente pode e deve reivindicar seus direitos e benefícios à instituição de ensino, principalmente por pagar uma rechonchuda mensalidade? Mas há limites no sistema de ensino que vão muito além da relação cliente-fornecedor e isso deve ser respeitado.
O imediatismo e a falta de ?compromisso contratual? na relação do aluno-cliente com a faculdade-empresa justificam o comportamento dos universitários da rede privada. Hoje, o aluno decide se vai, quando vai e porque vai à faculdade e, se este ou aquele ponto o desagrada, manda cortá-lo ou trocá-lo, como trocamos de plano de celular ou canal a cabo.
Fazendo uma analogia, concordo que se o produto não for bom, deve ser trocado?se houver defeito ou inutilidade. Mas, ao pagar por um produto que você desconhece e precisa ser instruído para saber usar, deve haver um respeito a essa inicial ignorância. É preciso confiar que está adquirindo o melhor produto?ou o melhor que você pode pagar.
É um absurdo comparar o ensino a um produto ou serviço do mercado. Eu ainda acredito que o professor tem um objetivo muito maior do que simplesmente passar umas horas derramando teorias por um salário miserável? Ensinar é um dom e está muito além de ler um livro e corrigir uma prova. A relação do professor com o aluno dentro de uma sala de aula comprova isso. Nós professores somos gurus, amigos e, muitas vezes, pais e mães de alunos ? carentes de informação e oportunidades. E é muito gratificante ver um canudo na mão de um aluno que lutou por quatro anos para conquistar um diploma (quando isso realmente acontece).
Hoje, generalizando, a conquista pelo diploma pode ser comparada com a vitória de ter conseguido bancar os anos de curso e não mais pela luta diária sobre os livros e aulas?
O mercado de trabalho ? que exige cada vez mais diplomas e cursos diversificados ? ao mesmo tempo que incentiva o aluno a correr atrás de diplomas, suga suas energias e desdenha o seu sacrifício pelos estudos. Explico: basta só ter um diploma? Há descaso quanto aos horários dos profissionais que tem aulas e trabalhos por fazer? Não há respeito ao dia-a-dia deste aluno que também trabalha. E qual é a consequência destas ações? O aluno também só liga para o diploma, quer concluir e dizer que fez o curso. E dá a mesma cruel importância ao que aprende? O importante é passar de ano e ter o diploma (até esse ?papel timbrado? precisa ser comprado, tamanho o ?mérito? da coisa).
Em desabafo, quem mais sofre com isso tudo é o professor. Eu sempre falo que o professor é o último a opinar e o primeiro a sofrer as consequências. Primeiro vem o aluno-cliente, depois a reitoria, a diretoria, a coordenação e talvez sobre um espacinho para o professor se manifestar. E ele que ouse deixar algum cliente de DP! É como obrigar o aluno a pagar por mais um serviço na fatura (ridículo pensamento, não? DP é reaprendizagem, não é punição ? e ainda que esta punição tem opção? muitos alunos deixam de cursar em tal faculdade se esta o entrega uma DP). Resultado, eles mudam para outra empresa-faculdade, que além de dar descontos e pacotes especiais, ainda desobrigam a pagar pela reaprendizagem?sem DP!!)
Sofro as consequências por querer ensinar da melhor maneira?E-N-S-I-N-A-R!! Por corrigir cada erro, por não aceitar a relação cliente-fornecedor? por lutar pelo ensino e pelo futuro dos meus alunos?
Infelizmente, aplicar reavaliação é punir o aluno?Deixá-lo de DP então? é justa-causa para a empresa!!
Até onde e quando isso vai?
