É muito complicado para uma professora de Etiqueta - exceto para as tidas com
socilites - falar hoje para os seus alunos o que é certo ou errado na etiqueta social. Na verdade, não acredito no certo ou errado (quem lembra desta coluna da revista Capricho?) e sim no que é adequado a determinadas situações que exigem nossa atenção quanto ao "comportamento ideal".
Nesta semana, em três situações diferentes, com grupos diferentes, me deparei com discussões a respeito dos trajes. É sempre a mesma coisa: Se você tende para o usual, para os padrões da sociedade, você mantém a posição de que é chique estar de acordo com os trajes da ocasião e comportar-se "conforme manda o figurino"... Porém, ao cair sobre a questão que cada um é livre para se vestir como se sente bem e o que importa é a pessoa e não o que ela veste...Meu Deus, vira uma polêmica só!!
Concordo que pela Lei Natural, o homem deve se sentir livre e à vontade para agir de acordo com seus princípios...Mas vivemos em sociedade e isso nos obriga não só a conviver com todo tipo de gente , mas a cumprir determinadas regras impostas por esta sociedade - concordando ou não com os princípios por "ela" estabelecidos.
O terno e a gravata devem ser acompanhados de sapato social e cinto (não esquecendo das meias que acompanham a calça ou o sapato na mesma cor)? O que pensar do terno com chinelo havaiana do Paulinho Vilhena?????
O salto alto e o vestido longo são para festas a rigor ou consideradas "social completo". O que dizer do famoso tubinho preto e sandalinhas baixas nestas ocasiões??????
Fumar é deselegante (e sinal de incômodo para muitos), mas há quem pense o contrário - minha mãe começou a fumar na juventude por achar "chique" e para se enturmar melhor aos grupinhos ditos como
cults e intelectuais...Ainda bem que ela acabou com o vício há anos - e tirou esta mentalidade da cabeça, tanto que me ensinou o contrário.
Mas vamos ao que interessa. Um comentário muito feliz de uma amiga definiu o que penso a respeito da vestimenta em um evento. Resumindo suas palavras...
Quando uma noiva prepara o seu casamento, meses ou anos antes, ela prepara com carinho e atenção todos os componentes da festa, desde o arranjo da mesa, as toalhas e os talheres que você vai comer, até as músicas, a comida e a bebida. Ou seja, a preocupação com este momento único, especial e " rico" para ela, reflete no seu desejo de cooperação dos convidados para que isto se realize perfeitamente - sob o seu ponto de vista, deixando isto bem claro - afinal, eles fazem parte deste momento. E você se trajar conforme o evento, exije não só bom senso de sua parte, como é sinal de respeito a este momento especial para o anfitrião.
Tá que o que importa é a sua presença etc e tal, mas não custa nada você atender aos "caprichos" da ocasião, não deixando desconfortável o anfitrião nem seus convidados.
E, é lógico que comportar-se com educação é sinal de respeito também. Mas isso é assunto para outra hora e não cabe aqui...
Uso do bom senso sempre, em todas as situações. Se não há problema por parte do afitrião, tudo bem, seja você...muitas vezes sua autenticidade será sinal de destaque e elogios...Mas se a ocasião exigir determinados cuidados, dance conforme a música. Não custa nada e agrada muito que assim proporcionou a ocasião... Se for contra, não vá. Para que se irritar e irritar o outro? Todo mundo perde e não muda em nada o padrão estabelecido no momento.
Tudo bem que morar e trabalhar no interior faz bem para a saúde, é total qualidade de vida e um custo menor para a sobrevivência.
Mas esta sobrevivência é limitada no que diz respeito às relações humanas que não estejam dentro de suas cercanias.
Hoje temos fax, e-mail, celular, telefones, rádio-comunicadores e, ainda, a tão tradicional carta. Mas parece-me que tamanha tecnologia não chegou até determinadas regiões do Brasil. Norte, Nordeste? Com certeza já sabemos. Agora, no interior de São Paulo - próximo à capital....Estou indignada.
Fiz mais de 80 ligações hoje para mais de 15 cidades do interior. Tinha que obter alguns e-mails para contato urgente com prefeitos e presidentes de associações e empresas destes municípios. Fiquei chocada. Tinha hora que eu ria para não chorar...
meio (para e-mail)? Hã? Faca (para fax)? - essa é de doer!
Tudo bem que tem gente muito simples....Vivemos em um país rico em diferenças culturais e sociais. Mas um presidente de uma companhia não saber o que é um e-mail? Secretárias executivas não terem noção de como receber um convite a não ser por carta?
Celular eles até tem...porque tá na moda, todo mundo tem!!
Mas na hora de soletrar um sobrenome ou conseguir se comunicar com o mundo exterior, a coisa pega.
Estou realmente chocada. Cidades com indústrias que movimentam muitos empregos...
Se eu começar a entrar na questão da Educação, vou cansar de escrever aqui. Por isso, por hoje é só. Já vou dormir triste, com tamanho descaso do nosso governo...